BIENAL DE ARQUITETURA BRASILEIRA
CASA DA TERRA PARA SEBASTIÃO SALGADO
A proposta desta casa se inspira em um gesto de atenção. A arquitetura torna-se extensão da personalidade de Sebastião. A paleta de cores é conduzida pelo azul — o céu amplo dos vales, a luz filtrada pelas montanhas, os tons das igrejas coloniais e do artesanato mineiro. É uma cor que evoca profundidade, serenidade e introspeção, elementos tão presentes na estética do fotógrafo. A terracota, por sua vez, faz referência direta à cerâmica vermelha e ao solo do Vale do Rio Doce, que marca a narrativa de Sebastião com intensidade e memória. A madeira de biriba recupera técnicas tradicionais das casas de roça, onde varas e ripas criam estruturas leves e engenhosas, construídas com o que a natureza oferece de forma equilibrada. Já os troncos de reflorestamento introduzem o toque contemporâneo e reafirmam o ciclo da restauração ambiental, em sintonia com o trabalho do Instituto Terra. O jardim com tela tensionada remete à luz natural e cria um elo poético entre interior e exterior, lembrando o entendimento mineiro de que casa e natureza não se separam — coexistem e dialogam. A esse cenário somam-se dois elementos essenciais: os tapetes de ráfia, feitos a partir de material 100% de reuso e o revestimento escolhido a partir do modelo produzido no design 360. A integração da cozinha com a sala de estar reforça a atmosfera acolhedora da casa. Na casa mineira, a cozinha é mais que um ambiente — é o coração da vida doméstica e simboliza acolhimento, generosidade e tempo desacelerado. Em Minas, a cozinha não serve apenas para cozinhar; ela constrói vínculos e mantém viva a tradição de receber bem.
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